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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Profissão: bajulador



Trabalhei com um cara que me disse uma vez: "Bruno, o corrimão para o sucesso é puxar o saco do patrão."

Ainda me lembro que foi no ano de 2005 que com um tom gozador este colega de trabalho que sabia muito da vida me pregou na mente esta sentença um tanto quanto pejorativa, mas que também divide o mundo em dois grupos de pessoas: os bajuladores e os não bajuladores.

Pra tratar um pouco disso, inicialmente temos que entender certinho, refletir um pouco sobre do que se trata um bajulador.

O primeiro de tudo a saber é: um bajulador quase nunca se confessa um bajulador.

Se você pesquisar no pai dos burros a resposta para o que é um bajulador vem de forma clara sem rodeios:  "que ou quem faz bajulações, que louva e exagera os méritos de alguém com fins interesseiros. Adulador, lisonjeador."

O bajulador é uma pessoa que geralmente enxerga uma excelente oportunidade de negócio, de meio de vida, de gaita fácil, de crescimento profissional, de visibilidade, de fama, de regalias através de uma aproximação a alguém que possui algo a oferecer dentre as categorias citadas acima. Portanto, através de uma aproximação motivada por causas naturais ou dissimuladas o bajulador se posta próximo a pessoa que pode lhe ofertar um benefício e rapidamente e oportunamente trabalha para ganhar a confiança do pretendido bajulado através da amizade, companheirismo até mesmo de sacrifícios artificiais em prol do sujeito poderoso de quem ele pretende conquistar favorecimentos.

O desenvolvimento e o desenrolar da bajulação você já conhece: uma vez conquistado o foro íntimo - pessoal ou profissional - do candidato, o adulador começa a tecer conselhos, defender o comportamento do  seu bajulado a qualquer custo, se torna um homem ou mulher de confiança, passa a guardar segredos, intitula-se como aliado e o ápice da história toda: vive a elogiar, enaltecer, orgulhar-se de tudo o que seu bajulado produz ou deixa de produzir. 

Não sei não, mas acredito que uma bajulação de um puxa-saco vale mais do que dez palestras motivacionais ministradas pelos maiores gurus do planeta. Por isso mesmo, o bajulado acaba tendo dificuldade para opor-se muitas vezes a aproximação do seu adulador. O bajulador trabalha tão direitinho que ele camufla muito bem camuflado seus interesses, principal motivo de tudo, com sentimentos por vezes até parecidos a verdadeiros de amizade. A vítima (lembre-se: poderosa ou endinheirada) começa a entender que aquele individuo (ou indivíduos)  subserviente é importante pra ele, começa a crer que os sentimentos são verdadeiros e de que esse cara é a representação perfeita de sua auto afirmação. Então, vai mantendo o bajulador por ali, por vezes propositalmente, por outras vezes involuntariamente.

Enquanto isso tudo acontece, o bajulador, que não está ali de graça, vai atingindo seu objetivo inicial e principal disso tudo: usufruindo de favores que talvez não seriam alcançados sem o artifício da bajulação - maiores salários, posição de destaque, torna-se porta-voz de sua personalidade particular, ganha presentes, honrarias e tudo quanto é privilégio que se possa imaginar.

Entendido o contexto do bajulador, agora fica fácil conversarmos sobre as consequências da bajulação.

Davi escreve assim:

Salva-nos, Senhor! Já não há quem seja fiel; já não se confia em ninguém entre os homens.
Cada um mente ao seu próximo; seus lábios bajuladores falam com segundas intenções. 
Salmos 12:1-2 


O grave problema da bajulação é que ela age como uma doença silenciosa. Ela vai penetrando vagarosamente pelos órgãos do corpo e quando menos se espera, causa uma falência múltipla em quem está contaminado por ela.

Aquele que se cerca de bajulação acaba criando um mundo paralelo ao real. O poder da bajulação acaba cegando sua capacidade de perceber erros. Sim, porque a função maior do bajulador é manter o cenário perfeito diante do bajulado, mesmo que isso custe mentiras, falsidade, mesmo que inverdades se tornem verdades, mesmo que a impressão seja falsa.

A função homicida do bajulador é manter tudo na perfeita ordem perante o bajulado, mesmo quando não está.

Ele faz isso, porque não está preocupado com as consequências, com os resultados mortíferos que podem acarretar a seu bajulado. Ele está preocupado em usufruir o máximo possível de qualquer que se seja sua regalia e pra isso ele vende a ilusão de que está tudo bem.

Então, intrigas são geradas, resultados negativos são camuflados, ações errôneas dignas de serem repreendidas são exaltadas, compromissos fingidos são firmados e no fim, quando tudo estiver destruído, o bajulador - sempre coadjuvante - "pula" fora, deixa seu bajulado na ruína e desgraça e vai procurar outro bam-bam-bam para puxar o saco.

Infelizmente, vivemos em um mundo egoísta e corrupto, onde os interesses pessoais para muitos estão acima de um sentimento verdadeiro pautado na sinceridade.

O verdadeiro amigo, o autêntico cristão, não deve pautar suas relações nem de um lado nem de outro dessa gangorra perigosa.

Tratar com sinceridade, respeito, possuir estima por alguém não tem nada a ver com isso. Devemos respeitar sim nossas autoridades, lideres, chefes, quem está acima de nós, assim como devemos buscar o respeito de quem está num contexto de serviço a nossa posição, seja ela onde for, em qual esfera for.

Mas os resultados de nossas conquistas devem ser obtidos por nossos méritos, por nosso comprometimento franco e desprendido de nossos esforços.

Adiante, Davi mais uma vez escreve:

Pois segui os caminhos do Senhor; não agi como ímpio, afastando-me do meu Deus.
Todas as suas ordenanças estão diante de mim; não me desviei dos seus decretos.
Tenho sido irrepreensível para com ele e guardei-me de praticar o mal.
O Senhor me recompensou conforme a minha justiça, conforme a pureza das minhas mãos diante dos seus olhos.
Ao fiel te revelas fiel, ao irrepreensível te revelas irrepreensível,
ao puro te revelas puro, mas com o perverso reages à altura.
Salvas os que são humildes, mas humilhas os de olhos altivos. 
Salmos 18:21-27

O batalhador e homem de Deus Jó também toca no assunto:

Tenho que falar. Isso me aliviará. Tenho que abrir os lábios e responder.
Não serei parcial com ninguém, e a ninguém bajularei,
porque não sou bom em bajular; se fosse, o meu Criador em breve me levaria. 
Jó 32:20-22

Nos afastemos irmãos dessa prática tão perversa e busquemos amar e respeitar nosso próximo com sinceridade, justiça e verdade, elogiando quando preciso, repreendendo quando necessário, mas sempre pautados naquilo que nosso Deus nos revela através da sua palavra.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos!


[Para o músico-mor sobre Gitite. Salmo para os filhos de Coré] Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos!
A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo.
Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu.
Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente. (Selá.)
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.
Que, passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques.
Vão indo de força em força; cada um deles em Sião aparece perante Deus.
SENHOR Deus dos Exércitos, escuta a minha oração; inclina os ouvidos, ó Deus de Jacó! (Selá.)
Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios.
Porque o SENHOR Deus é um sol e escudo; o SENHOR dará graça e glória; não retirará bem algum aos que andam na retidão.
SENHOR dos Exércitos, bem-aventurado o homem que em ti põe a sua confiança. 
Salmos 84:1-12



Recentemente tive a oportunidade e o prazer de conversar com João Alexandre no programa Sintonia Soul que apresento na Rádio Transgospel. Tive a honra de relatar pelo menos um pouco da influência que o trabalho musical dele tem na minha formação musical e na minha vida como compositor e sem muita "rasgação de seda" mas com muito respeito e admiração, pude bater um papo bacana com um músico cristão que de fato admiro. 

Primeiro, lá no longínquo início dos anos 90, não me esqueço de ouvir pela primeira vez: "Pra cima Brasil" ou "Brasil, olha pra cima!" que me inspirou a compor "Doce Pátria" essa, junto a meu pai. Depois, lá nos meus primeiros contatos com o saxofone e os casamentos, "Essência de Deus" virou figurinha fácil no meu repertório. Mas nada me marcou tanto no trabalho de João quanto o seu disco acústico de nome homônimo lançado em 1999. Durante quase dois anos, trabalhei em um escritório de uma grande empresa de granito no município de Serra no Espirito Santo e por vários meses trabalhei fazendo minhas coisas da profissão, plugado a um fone de ouvido que tocava e retocava por semanas a fio este cd, numa daquelas obsessões que poderíamos dizer que arranharia o vinil se estivesse tocando numa vitrola. Bons tempos.

Por fim, anos depois, comecei a interagir musicalmente com o Betinho, violonista autodidata de primeira, que é um apaixonado por violão clássico e músicas regionais. Não por acaso, curte muito o trabalho do João Alexandre, daqueles que se isola de todos e tira as músicas do cara, notinha por notinha, arranjo por arranjo.

Dentre tantas composições deste poeta cristão que aprecio, sou apaixonado pela versão musicada por João do Salmo 84. De uma simplicidade harmônica e de uma coerência melódica tão grande que deixaria os  filhos de Coré boquiabertos. É impossível uma alma de sensibilidade poética ficar indiferente ao ouvir e contextualizar essa linda mensagem timbrada na aveludada voz alexandrina.

Ouvir ou tocar esta canção além de suas atribuições melódicas apuradas, me remete a uma viagem particular ao mais íntimo da minha espiritualidade. Ela tem a capacidade de me fazer refletir, meticulosamente, sobre a minha fé. Não foram apenas meia dúzia de vezes em que comecei a ouvi-la e terminei num momento de serena oração dizendo para Deus coisas só minhas, palavras que só eu sei...agradecendo a Deus por ter permitido que eu nascesse em sua presença, me extasiando em poder dizer que aceitei a Jesus como Salvador, feliz, rememorando todas as vezes que adentrei dentro da minha igreja e peguei aquela guitarrinha velha de cordas enferrujadas e as troquei com todo zelo e cuidado, lembrando das vezes em que o culto começaria as dezenove mas eu chegava as dezesseis, e passava as horas tocando canções no salão da batista renovada, no "móveis zezinho", no salão do centro ao lado do shopping...então começa a fazer sentido pra mim: "quão amáveis são os teus tabernáculos..." começo a sentir um amor profundo e uma necessidade inquietante de entrar na presença de Deus. "Louvar-te-ão continuamente"...me lembro de todas as vezes que junto ao ministério de louvor, começávamos a ensaiar um corinho e não tínhamos hora pra terminar tomados pela alegria do Espirito Santo de Deus.
Essa canção colabora e muito para me fazer crer que é um prazer imenso servir a Deus, um privilégio, impar, sem par, inigualável.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Leva o guarda-chuva...vai chover


Não foram poucas as vezes que saí de casa agasalhado com um imenso guarda-chuva preto de ponta aguda pendurado no braço, contra a minha vontade. Mas isso, depois de inúmeras outras vezes que, todo arredio e cheio de mim mesmo, ignorei os apelos da minha mãe, me chamando pra voltar pra casa e pegar os apetrechos protetores antes de sair pra qualquer lugar que fosse. Ela dizia:

- Bruno, coloca a blusa, vai fazer frio.

E eu:

- Que frio nada mãe. "Tá" tranquilo! Vou levar blusa não.


Ai, eu, babaca, ficava lá no passeio com os amigos, com os pêlos dos braços arrepiados e beiço roxo, por causa da minha teimosia em não ouvir as recomendações da mamãe. Inevitavelmente, me vinha na memória a cena de mamãe pendurada na janela de casa gritando "leva a bluuuuuuusa". Isso aumentava minha raiva.

Vocês podem não acreditar, e mamãe também não, se estiver lendo isso, mas sempre que sou aconselhado por alguém sobre algo que vale a pena meditar sobre, me vem na mente como uma película de um filme de sessão da tarde, a imagem de mamãe gritando "leva a bluuuuuuuusa" ou quando ela já vinha lá de dentro da casa com aquele guarda-chuva da familia Adams me entregando para sair.

Tem gente que não sabe ouvir conselhos. Um tanto de gente por se achar auto-suficiente em tudo outro tanto por ser burra mesmo. Neste caso, ambos os exemplos são de pessoas burras.

"Ouve o conselho, e recebe a correção, para que no fim sejas sábio." - Provérbios 19:20

Nós só tomamos conhecimento de que fizemos "bobagem" depois da prática da tal "bobagem". É o caso de Adão, que só viu que estava nu e se escondeu de Deus, depois de sua desobediência. Foi assim comigo, depois de tantas chuvas e tremedeiras de frio.

Ninguém é tão superior que nunca tenha conselhos a serem observados. Conselhos são alertas, trocas de experiências, parâmetros que com certeza, se não se aplicam hoje, algum dia se aplicarão. As vezes temos que descer de nossa arrogância e prepotência e reconhecer que precisamos de ouvir recomendações de quem nos quer bem, mesmo porquê, quem está de fora tem uma ótica diferente da nossa, em relação a nossa pessoa, em relação ao que somos. As vezes achamos que estamos fazendo a coisa certa, e estamos tremendamente errados.

Não é feio repensar. Não é humilhante reavaliar. Não é vergonhoso reconhecer erros e replanejarmos a rota.

Tenho aprendido muito com a vida, muito com meus amigos, superiores profissionais, com minha familia, com minha esposa. Estou sempre procurando tirar lições de tudo, dos conselhos que recebo, das dicas, orientações...mas veja bem, tem um segredo com esse lance de ouvir conselhos...a palavra de Deus fala sobre isso...a principal referência de conselhos está na Bíblia, e se pautarmos os conselhos com o que diz a palavra de Deus, seremos felizes com as escolhas que fizermos.

Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.
Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.
Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.
Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.
Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá. 
Salmos 1:1-6

sábado, 19 de janeiro de 2013

O falecimento de irmã Norma



Pastor Adamastor era um homem muito boa gente. A igreja, tradicional e centenária na cidade, era o destino de grande parte dos evangélicos do lugar, por ser a maior igreja "crente" da pacata cidadezinha. Todos ou quase todos os membros da igreja admiravam o amável Pastor Adamastor. Não se ouvia falar mal daquele homem já a oito anos na presidência da simpática congregação. Nos últimos anos, a igreja recebera muitos novos membros, muitas almas se batizando e a cidadezinha estava mesmo se convertendo, aceitando Jesus como Salvador. Muitos creditando essa revolução como o fruto do trabalho do obstinado pastor Adamastor, homem incansável em pregar o evangelho. 

Seus sermões, recheados de autoridade e convicção sempre falavam sobre o amor e exaltavam a honrosa missão de servir a Cristo. Ele sempre falava do amor de Jesus, o desprendimento das coisas materiais e o apreço pelas coisas do céu. Ele costuma dizer que seu versículo favorito era Colossenses capitulo três versículo dois: "pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra." Ele pregava sobre enfermidade, arranjava um jeitinho de citar o versículo, aconselhava algum irmãozinho no gabinete e lá estava ele pregando aquele versículo, no futebol, lá ia ele com seu lema de bolso...o jeito simples e amoroso de levar a vida daquele pastor conquistava cada vez mais aquele povo.

Como toda igreja tradicional que se preze, a igreja tinha seu "conselho deliberativo". Uma comissão formada pelos irmãos obreiros da igreja que decidiam sobre toda a "papelada". Tinha o pastor Gerôncio vice-presidente, irmão Cláudio tesoureiro, irmã Veruska vice-tesoureira, irmã Jacobina, secretária, pastor Pedro Henrique pastor de música, além dos obreiros mais anciãos da igreja, Seu Pitágoras, Seu Jorgino e Dona Efigênia esposa de Seu Jorgino, que sempre preparava a ceia do primeiro domingo do mês.

Mas sabe, pastor Adamastor não ligava muito pra isso não. Ele ficava sempre agitado quando começava mais uma reunião pra decidir sobre o bebedouro da cantina, o ventilador das salinhas da escola bíblica dominical, das apostilas dos juniores...ficava ele lá ouvindo tudo, com os pés agitados balançando pra cima e pra baixo, olhando desavergonhadamente para o relógio doido pra tudo acabar logo.

O que o pastor Adamastor gostava mesmo era de passar na sala das professoras da EBD, pegar as crianças no colo e fazer uma oração com elas, gostava de participar dos cultos de oração todas as terças-feira dirigidos pela irmã Norma, gostava de chamar o pastor Pedro Henrique para fazer um louvor com os jovens nos sábados a noite, gostava de marcar visitas na casa dos novos convertidos com o irmão Pitágoras nos dias de sexta-feira.

Um belo domingo de agosto a igreja teve que se reunir em assembléia para decidir sobre a partida do pastor Adamastor. A igreja deveria então respeitar o rodízio dos pastores recomendado pela convenção nacional a qual estava afiliada. Foi um dia de muita tristeza naquela igreja. Aquele pastor tão amado, precursor de uma grande revolução no seio daquela igreja agora iria partir. Um grande pesar e comoção entre os irmãos. Mas tinha que ser assim. Agora a igreja seguiria sem o pastor querido. Pastor Gerôncio assumiria interinamente. Houve um discurso. Houve uma despedida. Pastor Adamastor então já não era mais o presidente da igreja. Foi embora pastorear um igrejão de São Paulo.

Então a igreja foi seguindo o seu curso natural, sob o pastoreio de Gerôncio. Tudo ia bem a não ser o sentimento de perda de um grande líder. Três meses depois da ida de Adamastor, irmã Norma faleceu. Fizeram as cerimônias fúnebres. Enterraram a irmã num dia de terça-feira. Poucos familiares, pouquíssimos irmãos da igreja. Junto ao túmulo de irmã Norma também fora sepultado os cultos de oração de terça-feira, que só haviam sobrevivido ao tempo pela dedicação daquela irmã. 

Para afastar o clima "borocochô" do povo desde a partida do seu antecessor, no domingo seguinte o pastor Gerôncio decidiu tomar uma atitude ousada: convidou um artista gospel desses bem famosos e caros para cantar no culto da noite. O homem veio lá do Rio de Janeiro para aquela cidadezinha pacata, algo revolucionário na região. Primeiro chegou o ônibus carregado de músicos, cheio de equipamentos modernos, instrumentos e parafernalhas. O cantor chegou na hora do culto, até um pouco atrasado porque o vôo atrasou do aeroporto Tom Jobim devido a um contratempo na autorização de decolagem do jatinho particular do famoso cantor disco de platina.

Foi um alvoroço na igreja! Veio caravana das cidades vizinhas, ônibus entupindo a rua central da cidade, o prefeito foi no culto, a câmara de vereadores inteirinha, os três donos de supermercados, o juiz, o delegado e o médico do posto de saúde. Todas as personalidades se postaram na porta do camarim para uma foto para o jornal da cidade. Iria acontecer uma tarde de autógrafos com venda de cds, mas o atraso na viagem inviabilizou o negócio.

O espetáculo foi de casa cheia. Muita euforia durante a apresentação do cantor. Pela primeira vez em muitos anos não houve apelo no culto de domingo a noite. A festa foi um sucesso de público. Muita gente saiu dali satisfeita montada em seus ônibus de excursão. Menos o conselho deliberativo da igreja, e uma boa parte da membresia. Os irmãos do conselho se escandalizaram com essa atitude unilateral do pastor Gerôncio, que não consultou a igreja e desfalcou o caixa da igreja em mais de oitenta mil reais para arcar com os custos da super-produção. Como se não bastasse, quebraram as portas dos banheiros, colaram chicletes nos bancos, deixaram o pátio com guimbas de cigarro, estragaram o bebedouro novinho comprado na assembléia anterior...foi um desastre.

Daquele dia em diante, começou o racha na igreja. Parte da igreja queria mais famosos no pedaço, outra parte estava insatisfeita com tanta ousadia junto. Descobriram que irmão Cláudio tesoureiro faturou dez mil com a jogada do artista, por isso comprou um carro novo. Abriu uma boate na cidade, e os jovens  da igreja começaram a frequentar as festas, já que não acontecia mais os louvores de sábado a noite com pastor Pedro Henrique, que aliás, foi pego em adultério com irmã Berenice professora da EBD. Seu Pitágoras também morreu, e o filho dele recém convertido na época do pastor Adamastor, voltou ao vício do álcool e num inesperado dia atirou na sua esposa na porta da igreja, numa noite de culto, cheio de membros chegando para mais uma reunião. O número de batismos continuou caindo até chegar a zero. A frequência nos cultos também caiu. Se passado um ano, nada do legado deixado por pastor Adamastor estava de pé. A igreja estava em frangalhos.

Foi ai então que numa medida desesperada, alguns líderes daquela igreja resolveram telefonar para o pastor Adamastor e solicitar desesperadamente a visita dele na cidade. Só poderia ser isso: depois da partida do pastor Adamastor tudo passou a dar errado. O amável Adamastor ao receber as notícias trágicas de sua igreja de oito anos, pega suas malas e parte para ver de perto a situação. Chegando na cidade num sábado de manhã Adamastor entra na sala de reunião da igreja e defronte ao conselho deliberativo, ouve a narrativa de pastor Gerôncio sobre os infortúnios do último ano: discussões, contendas, esvaziamento da igreja, falta de amor, secularismo, desgraças e pecados. Naquela sala fria e tensa, o conselho ouvia as explicações de pastor Gerôncio já imaginando a condenação vindoura por parte do experiente e respeitado pastor. Estavam aguardando a repreensão ao colega vinda de Adamastor. Quando Gerôncio termina sua fala, pastor Adamastor então retruca:

- Pastor Gerôncio, chama pra mim a irmã Norma por favor.

Os outros se ressaltam na cadeira, enquanto pastor Gerôncio responde:

- Pastor, irmã Norma faleceu logo assim que o senhor foi embora.

- Meu Deus, que pena, ninguém me informou dessa grande perda. Então me chama a irmã responsável pelo culto de oração.

Todos se entreolharam e desentendidos respondem:

- Não temos mais culto de oração desde o falecimento da irmã Norma.

Pastor Adamastor, então, tranquilamente apoia os cotovelos na altura dos joelhos e diz:

- Pois bem irmãos, eis ai o motivo de tanta desgraça. Sem oração não há como ficar de pé.

Levantou-se, orou  pela igreja, cumprimentou todos e partiu.

"Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores.

Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor;

E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.

Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. "Tiago 5:13-16

por Bruno Ramos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Vai, anuncia a paz...

Mesmo que você não goste muito de hinos antigos, mesmo que você ache essa música "brega" em relação ao requinte musical de hoje em dia, faça uma forcinha e ouça essa música até o final, mas com uma condição: refletindo na letra logo abaixo.





Vai contar

Grupo Logos

Num mundo que sufoca
Evoca, canta, toca e sai
Vai e anuncia a paz
Aos homens que carentes,
Descrentes do amor maior
vai e anuncia a paz
Vai contar ao povo
O que Jesus, por ti, um dia fez!
Teu amor consegue aos outros
alcançar?
Só então, os teus amigos,
Transformados em irmãos,
Galardões eternos,
Lá nos céus, serão
Há muitos que, perdidos
pro fim caminham, sem saber
Vão, sem ouvir da paz!
Sem conhecer a paz!
Será que não nos pesa,
Deixar que morram sem saber,
Que só Jesus é paz?
Que só em Cristo há paz?
Vai contar...

Felicidade se faz com música

Olá a todos!

Enfim, resolvi de vez expor minhas escritas. Sempre quis escrever, apresentar um pouco as idéias que estão sempre enclausuradas na minha mente, sem ter como escapar. Espero que gostem de tudo o que eu carinhosamente estou apresentando ai. E, se por um caso, precisares de uma banda pra tocar no seu casamento, na sua festa, no seu evento...estamos ai, fácil falar comigo. Abraços.

Abraço a todos.

brunodearamos@gmail.com
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(28) 9922 5062